Síndrome do Impostor: Você não está sozinho

Mesmo que cada vez mais comum, principalmente no âmbito profissional, nem sempre quem vivencia a Síndrome do Impostor percebe que outras pessoas podem estar passando pelo mesmo.

“Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação; como se a qualquer momento alguém irá descobrir que sou uma completa fraude e que não mereço nada do que conquistei”, disse Emma Watson (Hermione do Harry Potter) em uma entrevista há alguns anos.

A Síndrome do Impostor atinge 70% dos profissionais bem-sucedidos, especialmente mulheres e minorias sociais, segundo estudo realizado pela psicóloga Gail Matthews. A má notícia é que não existe uma “cura” definitiva para essa síndrome (até então). A boa notícia é que, identificando esse padrão de comportamentos, conseguimos enfrentá-lo com mais facilidade.

De maneira breve, a Síndrome do Impostor envolve um padrão de comportamentos de autossabotagem. Por exemplo, uma pessoa bem-sucedida em sua atuação que, frente a suas conquistas, enfrenta dificuldades de reconhecer seus méritos. A reação de ‘descrença’, neste caso, não trata-se de modéstia do sujeito, mas sim de uma sensação de não pertencimento, a uma autopercepção distorcida da realidade. Além disso, estes padrões podem afetar não apenas o rendimento no trabalho, como também impactar na vida pessoal e saúde do sujeito, gerando insônia, ansiedade e/ou depressão.

Neste TED Ed criado por Elizabeth Cox podemos entender um pouquinho mais sobre essa síndrome de forma figurativa e muito completa.

Aqui na Sthima nós trouxemos esse assunto para a discussão em um de nossos Desafios Somos_Sthima. Em nossa conversa, identificamos que todos nós já sentimos algum dos sintomas da Síndrome do Impostor em algum momento em nossas vidas. Trocar este tipo de experiência nos faz perceber que estes são sentimentos comuns. Saber que os outros também sentem-se como nos sentimos pode trazer certa sensação de conforto, fazendo assim com que seja menos assustador enfrentar esse fenômeno.

Uma vez que entendemos que este é um ponto comum entre nós, discutimos em conjunto sobre como podemos combater a Síndrome do Impostor. O que podemos fazer quando estamos nos sentindo inseguros, incapazes, duvidando de nossas habilidades? Com base em nossas experiências, levantamos algumas iniciativas e ações que podem amenizar algumas sensações que essa síndrome desencadeia:

Autoconhecimento

  • Conhecer a nós mesmos e entender o que potencializa esses sentimentos para que possamos trabalhar em cima destes padrões;

Feedbacks

  • Embora possa ser um enorme desafio, pedir feedbacks quando estamos com dúvidas sobre nossa performance pode nos auxiliar a separar quando é a “voz do Impostor” falando conosco, ou quando realmente precisamos dar atenção para alguma questão;
  • Registrar feedbacks positivos que recebemos para revisitar posteriormente pode nos ajudar a visualizar e internalizar pequenas conquistas. Nós mantemos ativo aqui na Sthima o nosso canal de reconhecimento entre o time, podendo sempre visualizar os Kudos que recebemos dos colegas quando quisermos;

Comparar-se apenas com você

  • Fazer uma retrospectiva anual ou semestral nos permite visualizar a nossa evolução. Comparar-se apenas com você ajuda a tomar consciência e propriedade das aptidões e dos feitos;

Rede de apoio

  • Compartilhar esses sentimentos com colegas, amigos e/ou familiares pode nos auxiliar a entendermos que não estamos sozinhos nessa caminhada;

Psicoterapia

  • Buscar acompanhamento profissional sem dúvidas pode nos ajudar a trabalharmos questões que possam funcionar como gatilhos para este tipo de sentimento;

É normal que, eventualmente, passemos por momentos de dúvidas e incertezas sobre nós mesmos. O importante é não deixar que esses sentimentos tomem controle de nossas ações e comportamentos. Sabendo que não há uma “cura” para a Síndrome do Impostor, o que podemos fazer é trabalhar para fortalecer as ferramentas que nos ajudam a não deixá-la no controle de nossas vidas. Como traz Valerie Young em sua obra sobre a síndrome: “assim podemos ter momentos como impostores, mas não uma vida como impostores”.

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Eduarda Petry
People & Culture
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